O CAR FOI LIBERADO... E AGORA?

Por Margarete Maria

Conversando com meu amigo Bruno Ferreira, um assunto foi inevitável, aliás, esta pergunta está sendo inevitável:  quanto cobrar pelo CAR?      

   Como eu respondi a ele: Bruno, esta pergunta eu fiz aos participantes do curso do MundoGEO Connect no primeiro dia do treinamento, porém, as respostas, só iríamos discutir no final do último dia, claro, teriam que sentir o que é fazer o CAR. Neste curto espaço de tempo, eu fiz uma pesquisa rápida com alguns conhecidos de 3 estados diferentes. Após discutirmos alguns parâmetros, terminamos o treinamento com uma promessa entre nós: que ninguém cobrasse menos que R$ 2.000,00. Porém, este “menos que” envolveria vários parâmetros a serem analisados, um deles, que você já tenha uma área georreferenciada, que conheça o imóvel, que não tenha área consolidada, etc.                                                                                       Bruno formou agora, juntamente com minha filha. Vivenciaram as dificuldades de um curso que envolve cálculos (numérico, geométrico, etc.). Estudaram Geodésia, Física, Fotogrametria, Ajustamento, etc.... e ainda as dificuldades que enfrentaram de fazer um TCC em um grupo de 4 pessoas.  Mas, quem de nós não passou por tudo isso? Certa é a teoria que diz que o brasileiro tem memória curta.                                                                                          Fui explicar a ele porque o CAR nasceu e vai continuar com preços de liquidação. Com o georreferenciamento foi assim. Na ânsia de pegar serviço, uma minoria levou em conta as dificuldades e responsabilidades que seriam encontradas e estes são os que hoje dormem tranquilo – são o trigo “explode de dentro para fora em belos cachos de sementes, todas postadas em incrível ordem, formando um belo pendão, tornando agradabilíssimo aos olhos o seu espetáculo, tremulando ao vento’. Os que iniciaram e continuam cobrando valores inexpressivos, preferindo colocar a culpa na concorrência que têm que fazer com os que cobram “baratinho”, se esquecendo que ele é um deles, estão atualmente preocupados, são o joio: ”O joio, ao contrário, produz umas bolotas enrugadas que, de imprestáveis que são, caem dos seus ramos antes mesmo de amadurecer. A ciência biológica até hoje não conseguiu definir qual o valor e utilidade dessa planta”.    Assim será o destino do CAR.                                                                           

Iniciou mal – vai terminar pior. Sabem que eu converso muito nos treinamentos, procuro ouvir o que cada um pensa, pergunto quanto custará um trabalho de CAR. E após a tão esperada liberação do CAR estou perguntando aos profissionais com os quais converso: quanto irão “cobrar” (sim, “cobrar”, como se fosse uma mercadoria que pudesse ter um preço fixado, encontrado em qualquer esquina). Já posso prever o destino dos que estão ”cobrando” R$ 1.000,00 / R$ 1.500,00, se fazendo de desentendido que não pode haver sobreposição, que há uma Legislação por trás daqueles lindos desenhos de reserva e APP que são realizados na plataforma do CAR, que devem conhecer as leis 12.651, 12,727, decretos 7.830, 8,235, IN 02, e outras mais. Não estão levando em conta que devem ir até o imóvel fazer levantamento de todas as áreas de vegetação nativa, cursos d’água, corpos d’água, servidões administrativas, área consolidada, área de uso restrito, servidão ambiental e por aí afora.  E ainda acham ruim quando no Decreto diz que o proprietário pode fazer o CAR. Claro que podem, pois se para alguns profissionais não é necessário utilizar seus conhecimentos sobre o que é não poder haver sobreposição, não ter que entender de GIS, porque eles terão que entender?     

Estou assistindo muito preparo para a demanda e muito despreparo diante de tamanha responsabilidade. E já quero “cantar uma pedra”: não irá demorar e o MMA irá se unir ao MDA e utilizará o SIGEF como uma plataforma única, pois não terão analistas suficientes para atender as pendências originadas por sobreposição. Haverá cancelamentos por informações declaradas total ou parcialmente falsas, enganosas ou OMISSAS (palavras do Decreto).

Portanto, que não sejamos simples máquinas transformadoras de kml em shape, com muitos processos de CAR acumulados (na gaveta do analista, aguardando correção de pendências), e sim profissionais conscientes da responsabilidade, que possamos de cabeça erguida mostrar aos nossos clientes que não estamos “liquidando” o nosso trabalho e sim dando a eles a certeza de que como todo bom profissional, temos o nosso valor. E àqueles que preferem estar sempre se desvalorizando profissionalmente, só podemos dizer: que pena!   

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